Arquivo para maio 2009
Usem camisinha!
Provocações norte coreanas proseguem
Hoje, terça-feira, a Coréia do Norte efetuou disparo de 2 mísseis de longo alcance. Os artefatos cairam no mar. Isso só piora a situação, visto ontem ter ocorrido um teste de artefato nuclear (vide post de ontem). Andei pensando e, embora um tanto absurda, tenho uma teoria bem pessimista. Kim Jong-il está bastante doente, havendo até boatos que teve um derrame recentemente. Quem garante que ele esteja governando de facto o país? Ou pior, e se ele — sabendo que logo o fim será inevitável — esteja fazendo algo como seu último “show de fogos”? Convenhamos, o cara é megalomaníaco. Pode ser um plano de provocação, ou uma tentativa de chamar atenção da comunidade internacional. Japão e Coréia do Sul estão bastante preocupados, pois são possíveis alvos em caso de agressão.
Coréia do Norte realiza teste nuclear
Hoje, às 00h54 GMT a Coréia do Norte detonou pela segunda vez uma bomba nuclear [1]. Parece que isso está se mostrando a saída para países menores conseguirem manter sua posição, ou até mesmo reinvidicar maior atenção internacional. No caso da Coréia do Norte, creio que seja mais uma ferramenta de barguanha. Afinal, o país está falido, a população passa fome e restrições extremas, além de sofrer sanções da ONU há certo tempo. Cada vez mais nações lançam mão desse recurso para enfrentar a influência dos EUA. Funciona quase assim: “Aqui, quem manda sou eu. E, diga-se de passagem, tenho umas ogivas na manga.” — É na base da ameaça mesmo!
Recentemente os EUA deram uma bola fora ao afirmarem que existem planos de instalar na Polônia baterias de misseis que podem abater ICBMs (mísseis balísticos intercontinentais). Essas baterias fazem parte do escudo contra ICBMs criado pelos EUA para proteger seu território e países da OTAN [2]. Tal projeto recebeu maior apoio pela administração George W. Bush após os eventos de 11 de Setembro de 2001. Isso gerou uma resposta bastante negativa Rússia, que afirmou acertadamente que isso só tornam as coisas tensas entre eles e a OTAN [3].
Fontes:
[1] http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/05/090525_coreianuclearg.shtml
[2] http://en.wikipedia.org/wiki/National_missile_defense#Recent_developments
Einstein ataca Deus?

Segue uma matéria da Folha Online que consta a descoberta de uma carta escrita por Einstein em 1954 em que ele ataca conceitos de Deus e religões também. Isso é bem curioso, pois sempre achei que Einstein era alguém que mantinha uma crença num Deus (diferente das religiões, mas numa entidade superior).
Muletas
Cada um tem seus momentos de desespero, incerteza, baixa auto-estima, e também, provávelmente devido à natureza humana, procuramos respostas para todas nossas perguntas – principalmente para aquelas questões existenciais, e outras que não têm uma resposta simples. Há, inclusive, casos em que precisamos manter fugas da sua realidade, pelas mais diversas razões. Para isso e outras coisas, temos nossas “muletas”, que podem ser uma crença, um hobby, um vício. Enfim, coisas em que podemos nos amparar.
Dentro da categoria das crenças, incluem-se as religiões. Essas são com toda certeza, as muletas mais poderosas e que abrangem a maior parte da população (quando digo muletas, que fique claro, não falo no sentido perjorativo, nem desmereço a importância que a fé têm para bilhões de pessoas). Curiosamente, em muitas vezes quando há um choque dessas ideologias, surge uma série de polêmicas, discordâncias e violência: em pleno século XXI, há guerras entre religiões, irmão matando irmão por conta de pensarem em Deus(es) de uma forma diferente.
As razões para isso vão muito além das religiões, e extrapolam a racionalidade. É um problema de tolerar que existam pessoas que pensam diferente de nós. Porém, quando o assunto é fé, estamos falando de verdade absolutas - na maioria das vezes ditadas a nós por uma divindade. Portanto, é “normal” que a defesa desses dizeres seja ferrenha. Esse extremismo pode fazer com que outras crenças sejam negadas, e até mesmo consideras errôneas. Aqueles que discordam das crenças de outrem, podem acabar fazendo inimigos por centenas de anos. Mata-se e morre-se por sua crença. No fim, a diferença religiosa vira apenas um pretexto para cometer violência.
Além da intolerância, para ajudar, a própria crença prega a confrontação. É claro que as palavras são reescritas para condizer com o pensamento do momento, e no caso do Cristianismo, existem ambigüidades que permitem interpretações pacíficas. Porém, existem vertentes radicais e – ao meu ver – a tendência do momento é o uso de dotrimas menos tolerantes. O Catolicismo, por exemplo perdeu muitos fiéis para outras vertentes pois suas regras ficaram mais brandas e uma parte das pessoas prefere uma crença que pregue realizações em um prazo curto. Numa sociedade materialista, recompensas espirituais e no além-vida acabam perdendo o valor.
Esse endurecimento das crenças acaba, por si só criando mais uma vez verdades absolutas que entram em conflitos cada vez mais constantes. Não necessariamente falo de violência física, mas no distanciamento das pessoas e aumento da intolerância. Muitas crenças também se aproveitam dessa situação para se reafirmarem como sendo o ÚNICO caminho, abusando dos fiéis e exigindo mais do que podem e deveriam oferecer – nesses casos nota-se uma tendência intencional de prender o fiel à crença. Incluem-se nesses casos a exploração (mental e material) da ingenuidade de muitos.
Num mundo em que cada vez mais NECESSITAMOS de uma identidade global, a fé acaba se tornando para uma grande parcela das pessoas como uma muralha para quem pensa diferente. Onde deveria existir compreensão, surge o descaso, a ignorância. Junte o individualismo, o consumismo, um modo de produção predatório, adicione uma fé que contemple tudo isso (mesmo que indiretamente) e espere somente pelo PIOR.
Triste? Esse é o mundo em que vivemos: precisaremos de mais muletas em breve.